quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Mudança


Toda mudança traz com ela uma consequência, um destino, uma esperança e uma nova vida. Existe pessoas que sofrem porque simplesmente gostam de sofrer por coisas alheias. E ele pra mim já não tinha mais salvação, e por mim irá agonizar pedindo: Perdão! Mas que pena que os fracos não perdoam, o perdão é uma virtude para os fortes e eu não sou tão forte assim. Porque a dor de um soco no rosto fica alguns dias, mas a do peito permanece até nos dias de alegria. A maconha é para uso próprio e não para encher a casa de próximos. Naquela casa eu não tinha liberdade, sossego nem tão pouco privacidade. Ele sempre quis demais, sempre cobrou demais e acabou sozinho. Talvez a solidão não seje o pior castigo. Talvez fosse melhor eu ficar quieta e deixa-lo agredir-los, talvez fosse melhor eu não pecar. Mas se defender a mãe é pecado. Me perdoe Deus pois pecei com a maior vontade e sinceridade nos punhos empurando-o, pois ninguém é tão fraco que nunca tenha coragem. Ironicamente recordar é viver. Então prefiro perder a mémoria. Fomos embora com a cara, com a coragem e com pouca bagagem. Aprendemos a recomeçar quantas vezes for preciso. Já que quando morrermos não levaremos nada disso. A meretriz velha dizendo: A casa é do meu filho, e ele desegrenhado olhando para coisas fúteis que nem se quer tinha comprado. E no frete olhando pelo retrovisor deparei com o reflexo de uma moça no espelho, ela não tinha expressão, parecia estar abatida, mas quem olhasse dentro de seus olhos encontrava uma alma que estava repleta de tristeza, mágua e com um desespero devastador, em seu colo encontrava-se um rapaz com a barba crescendo com as espinhas amadurecendo e com os olhos pesaroso, ao lado deles encontrava-se uma senhora cheia de rancor, com muito receio que me passava a sensação de como é imenso o amor de uma mãe pelos seus filhos, eu conseguia assistir o desespero que fugia de seus olhos e conseguia também ouvir sua respiração ofegante. E na delegacia tamanha era a irônia. Um policial com um ar ''autoritário'' sarcasticamente dizendo: -Aqui não faz boletim de ocorrências. E eu segurando-me em minha respiração por pouco não disse: -Mas recebe-se propina? Mas achei o silêncio oportuno. Deixamos a mudança na casa de nosso tio e agora? Agora... só há máguas pra não recordar, tristezas pra superar, lembraças pro vento levar, remédios pra tomar, alguém pra nos ajudar, um anjo pra nos guiar e Deus pra nos abençoar e abençoar também os que ficam, pois Deus é justo com todos os seus filhos. (Pósparido)