sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

K

O amor que hoje tenho, metade foi tú que me deste.
Eu me lembro como se fosse ontem. Estava uma manhã ensolarada, eu estava arrumando a casa quando nossa mãe sentiu as primeiras dores, a levamos ao hospital e quando lhe vi pela primeira vez queria o por dentro de uma caixa de sapato.
Eu o assisti dar seus primeiros passos, vi seus primeiros dentinhos nascerem e o ouvi falar suas primeiras palavras: gui gui.
Perdi dias de aula para levá-lo à escola.
Fiquei noites em claro para lhe fazer nebulização por conta de sua bronquite.
Hoje, depois de um pouco mais de quatro meses, só me sobrou saudade, roupas, fotos e lembranças.
Então eu abro a sua gaveta - que tem o adesivo do ben10 - e seco minhas lágrimas com suas camisas, lastimando sua ida sem previsão de vinda.
Estou com saudade de seu sorriso, do seu abraço, do seu carinho, mas sinto muito mais saudade de suas pertubações.
Eu sei que só está a exatas 10 estações distante de mim, mas mesmo assim eu não posso vê-lo. eu não posso abraça-lo e nem se quer lhe ensinar uma nova canção.
E por mais sobrenatural que parece, tem gente que me pergunta se sinto saudades de você, mas se ao menos soubessem a imensa dor que sinto fariam o impossível para o tempo voar como um pombo.
Eu penso que está bem - no fundo você está bem - mesmo eu não estando ai para lhe comprar guaravita e fofura.
Eu tento ser forte para não enfraquecer a mãe, mas cada vez que olhamos o calendário a saudade nos tortura, está insuportável conviver com a sua ausência.
Ontem me lembrei que você tinha medo da Samara e se agarrava em mim, hoje estou com medo de não vê-lo e só posso me agarrar em suas fotos.
À todos que estão lendo, espero que nunca entendam o que sinto: Pois que haja valor enquanto houver o amor. Depois da saudade só restará a dor.
K, aguenta que eu tô chegando. Eu nunca lhe abandonei, entenda... foram as circunstâncias que me fez me afastar, eu nunca deixei de pensar em você nem tão pouco de te amar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário